O QUE É?

A 'Porto Lisboa' é uma rota de ciclismo de aventura e de bikepacking - em estrada - que liga as duas maiores metrópoles do território português. Inspira-se na 'Clássica Porto-Lisboa' - histórica prova de ciclismo que entre 1911 e 2004 marcou no calendário velocipédico português. A 'nova' Porto Lisboa não tem fins competitivos, sendo uma proposta com fins lúdicos. Como tal, a rota apresenta um traçado radicalmente diferente do percorrido em modo competitivo, embora vários troços sejam coincidentes com o da Clássica. Para além de uma ligação alternativa entre as duas urbes, a rota é um manifesto. Num contexto de prevalência e primazia concedido ao automóvel e à circulação rápida na rede viária, o desenho da rota focou-se na escolha de vias com níveis reduzidos de tráfego rodoviário e que proporcionem condições de segurança e conforto aos ciclistas. Não obstante as preocupações com a integridade física dos viajantes, o percurso atravessa diversos pontos de interesse paisagístico e cidades/vilas com atrações turísticas.


PARTIDA: MATOSINHOS

Cidade virada para o Atlântico e que juntamente com a 'Invicta' e Vila Nova de Gaia formam a frente ribeirinha do Porto. O Mercado de Matosinhos é uma referência, não só por estabelecer a conexão entre o oceano e a urbe, mas pelo papel enquanto núcleo sociocultural. É nele que se localiza a Velo Culture - ponto de partida da aventura.

A missão

O traçado da 'Porto Lisboa' é substancialmente mais extenso em comparação com o das diferentes variantes que foram utilizadas na 'Clássica Porto-Lisboa' ao longo das décadas (330/40 quilómetros). A rota - com 487 quilómetros e 5.720 metros de acumulado - foi desenhada para se evitar o quanto possível a exposição dos ciclistas aventureiros de estrada ao intenso tráfego rodoviário presente no litoral do território português. A reconstituição do traçado da Clássica implicaria uma exposição elevada ao perigo. Ao longo das décadas e em articulação com a afirmação do automóvel enquanto forma de deslocação, vários troços foram transformados em vias rápidas, enquanto outros apresentam diversos perigos que exemplificam os riscos de se circular de bicicleta em várias zonas do país: tráfego automóvel intenso, vias sem bermas/piso em mau estado, inexistência de uma rede de ciclovias, condutores que desrespeitam os ciclistas. A 'Porto Lisboa' pretende promover uma circulação harmoniosa e justa entre as diferentes formas de mobilidade.

Chegada: Parque das nações

 Construído no final do século XX com intuito de regeneração urbana para acolher a Exposição Internacional de Lisboa de 1998 e para reposicionar o centro da capital. Permitiu a expansão do tecido urbano para Oriente e é uma referência lúdica e cultural para os lisboetas. O ponto de chegada da 'Porto Lisboa' é no Grupeto Bike Shop Café.

O percurso

A 'Porto Lisboa' encontra-se dividida em quatro sectores: (I) Porto - Sever do Vouga com 121 quilómetros e 2.060 metros de ganho de elevação; (II) Sever do Vouga - Coimbra com 108KM e 1.650M de acumulado; (III) Coimbra - Nazaré com 119KM e 750M de ganho de elevação; & (IV) Nazaré - Lisboa com 140KM e 1.270M de acumulado. A rota pode ser percorrida de diferentes formas, consoante os objetivos se são mais lúdicos ou mais orientados para a performance desportiva: de seguida em modo endurance ou em modo bikepacking ao longo de vários dias. A 'Porto Lisboa' é uma proposta de rota de ciclismo. Os ciclistas são responsáveis pela sua segurança e dos demais que circulam na via pública, cumprindo as regras de circulação rodoviária. É indispensável a utilização de capacete e de vestuário/acessórios que permitam que os ciclistas e bicicletas fiquem visíveis em quaisquer condições meteorológicas e sobretudo durante a noite. É totalmente aconselhável a utilização de iluminação (frontal e traseira), refletores e possuir um seguro.

S1 | PORTO - VOUGA

O primeiro sector da rota 'Porto Lisboa' é eventualmente o mais exigente em função do terreno acidentado: 120 quilómetros e 2.030 metros de ganho de elevação. O desafio ao nível orográfico é recompensado pelo contacto com extensas áreas verdes - como o 'Arouca Geopark'. Após partida em Matosinhos, a cidade invicta é percorrida ao longo das avenidas e estradas costeiras/ribeirinhas. A saída do Porto é também efetuada junto ao Douro, com recurso à Nacional 108, em direção a Entre-os-Rios. Atravessando-se o rio e passando-se Castelo de Paiva - seguindo-se pela Nacional 224 - alcança-se as zonas mais verdes, mas também com os declives mais desafiantes, nas quais se encontra o território classificado UNESCO 'Arouca Geopark'. Em Vale de Cambra a Nacional 224 é trocada pela 328 que segue até Sever de Vouga - vila do distrito de Aveiro que se encontra nas proximidades do Rio Vouga e da Barragem do Ribeiradio. Também se encontra nas imediações a Ecopista do Vouga, que percorre o rio ao longo de 12 quilómetros. 

s2 | vouga - coimbra

O segundo sector da rota 'Porto Lisboa' tem 108 quilómetros de extensão e 1.670 metros de ganho de elevação. Embora o percurso não seja tão exigente em comparação com a etapa anterior, os relevos das terras beirãs contribuirão, certamente, para a acumulação do desgaste fisico, mas, também, para proporcionarem perspectivas paisagísticas revitalizadoras. A passagem pelo Rio Vouga e ascensão ao Alto do Roçario - no qual se encontra a pista de Rallycross - é efetuada pela Nacional 328. A longa descida até Águeda - pela Nacional 333 - permite uma aproximação ao nível médio do mar proporcionada pela bacia hidrográfica do Rio Águeda. A rota segue, por poucos quilómetros, a Nacional 230 nas imediações da Serra do Caramulo e sequentemente a curvilínea Nacional 336 até se alcançar a vila do Luso - para paragem obrigatória para abastecimento liquido. Ao longo da Serra do Buçaco percorre-se a Nacional 235 que acede a Penacova. O troço entre esta vila e Coimbra é efetuado, de forma tranquila, à beira do Rio Mondego pela Nacional 110.

s3 | coimbra - nazaré

O terceiro sector da rota 'Porto Lisboa' é o menos exigente do ponto de vista orográfico: 750 metros de ganho de elevação ao longo dos 119 quilómetros de extensão. É, também, nesta terceira etapa que se pedala, na maior parte do troço, à beira do Oceano Atlântico, através da respetiva Estrada Atlântica. Contudo, antes de se alcançar a zona marítima, é dada as costas a Coimbra na companhia do Rio Mondego através da estrada agrícola local (c/sectores gravel). Em Alfarelos, nas imediações de Montemor-o-Velho e avistando-se o castelo da vila, a Nacional 342 permite a ligação com os quilómetros mais ocidentais da 'Porto Lisboa'. Ao longo das longas e intermináveis rectas das Estrada Atlântica são atravessadas as localidades costeiras e praias de Pedrógão, Vieira e São Pedro de Moel. A proximidade marítima proporciona, inevitavelmente, uma maior exposição ao vento, que é, de forma predominante,  lateral. O sector termina na Nazaré - vila piscatória e turística - que ao longo dos últimos anos se tem afirmado como destino para os amantes de surf.  

s4 | nazaré - lisboa

O quarto sector da rota 'Porto Lisboa' é o mais extenso: 140 quilómetros e 1,270 metros de ganho de elevação. Nesta etapa são atravessados os territórios em que se encontravam as Linhas de Torres Vedras - conjunto de fortificações com fins militares que, em harmonia com a orografia acidentada a Norte de Lisboa, permitiram defender a capital da Terceira Invasão Francesa durante a Guerra Peninsular no inicio do século XIX. Antes de se alcançarem as Linhas, é percorrida, à semelhança da etapa anterior, a Estrada Atlântica, com o respetivo oceano por perto. As localidades costeiras de São Martinho do Porto e Foz do Arelho são atravessadas antes da rota seguir em direção a Caldas da Rainha. Já em territórios mais afastados da costa e recorrendo-se à Nacional 8 são percorridas as vilas históricas de Óbidos e do Bombarral. A partir da cidade de Torres Vedras atravessam-se alguns obstáculos orográficos (pelas Nacionais 8 e 374). O acesso a Lisboa efetua-se por Bucelas (Nacionais 116 & 118) e sequentemente pela bacia hidrográfica do Trancão.

clássica porto-lisboa

A Rota 'Porto Lisboa' inspira-se na Clássica 'Porto-Lisboa'. Nas edições da primeira metade e de meados do século XX, os ciclistas percorriam estradas sinuosas e chegavam a levar mais de 17 horas para concluirem os 330/40 quilómetros de distância entre as duas cidades. A Clássica, que se disputava a 10 de Junho, foi das mais longas do mundo e a mais extensa a partir de 1989. Charles George venceu a primeira edição em 1911 e Pedro Soeiro a última em 2004 ao serviço da Carvalheiros-Boavista. José Maria Nicolau, Fernando Mendes (ambos pelo Sport Lisboa e Benfica) e João Francisco (Campo de Ourique) venceram por três vezes. Fazem parte do palmarés vitorioso lendas como Marco Chagas, Venceslau Fernandes, Américo Silva, Cássio Freitas, Cândido Barbosa e Quintino Rodrigues.

Como funciona?

Regista-te nesta página e aguarda a confirmação - via email - pela Finisterra.CC, no qual receberás indicações relevantes sobre a rota. De seguida, está tudo pronto para iniciares a aventura! Levanta o brevet card (passaporte) no ponto de partida da rota, localizado na Velo Culture em Matosinhos e recolhe o primeiro carimbo (verifica, previamente, os horários de funcionamento). Em alternativa, o passaporte também pode ser levantado no Grupeto - Bike Shop Café em Lisboa (ponto de chegada da rota e de recolha do último carimbo), embora - em homenagem à Clássica - a rota só esteja disponível para ser percorrida de Norte para Sul. Mesmo que percorras a rota em duo ou em equipa, deverá ser efetuado um registo por cada participante. Boa aventura!


| Contacto: info@finisterra.cc 

| Instagram: @rota.porto.lisboa